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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Era Uma Vez em um Reinado não muito distante...



Havia um Reino, há muito dominado pelo exército da estrela branca, onde o Povo vivia a ilusão de que a estrela brilhava para todos e tão grande era este brilho imaginário que o povo não via o que pelas sombras era confabulado e orquestrado. O Povo sorria...

Com os olhos embaçados pela forte luz vermelha, as barrigas cheias pelo domínio do medo, as cabeças vazias pela ausência do saber e os corações alimentados de uma falsa paz vendida, o povo vivia feliz sem ter a menor ideia de que eram enganados e ludibriados. O Povo feliz(?) vivia...

O Povo não tinha terras, então o Reinado achou que deveriam invadir as terras dos que muito tinham e ali construir, não importando se a terra era de outrém, a lei era clara, tinha terra dividi-la teriam mesmo que nelas produzissem ou se sustentassem, mas os recém chegados não eram obrigados a nada produzir, somente se apossarem e ali sugarem o sal e o sol da terra. O povo regozijava...

O Povo tinha fome, apossando-se de ideias dantes estudadas e pensadas por reis depostos e decapitados, o reinado da estrela branca concedeu ao povo uma doação de cestas de alimentos, porém no fundo desta, disfarçada em pães, água e farinha a coação se escondia. O Povo não a via...

O Povo não tinha letras, carreira ou canudo, o Reino lhes deu a esperança em forma de técnicas agrícolas, industriais, comerciais, mas não lhes permitiu cultura, estudo demais, pois o povo com braço forte e cabeça oca vale muito mais. O Povo se inscrevia...

O Povo não tinha voz, eles então lhes deram a ilusão de que sua voz seria ouvida, seus direitos seriam exercidos e com discursos fantasiosos, dadivosos, generosos e magnânimos ao povo se dirigiam. O Povo acreditava e na falcatrua caia...

O Povo agora tinha teto, barriga cheia, curso técnico e esperança. O Povo se iludia...
Os poucos que labutavam braçalmente de sol a sol, que tentavam manter seus feudos produtivos com mãos calosas e sofridas, que folheavam livros e abriam suas mentes eram cada vez mais execrados, excluídos, quiçá exterminados. O Povo não via e até aplaudia...

Um dia a esperança desta Luz Vermelha se apagar surgiu e mais da metade do Povo nela embarcou, muitos com medo da Soberana Vermelha abstiveram-se ou privaram-se da escolha, pois o medo grita mais alto que a esperança e o domínio monárquico a outra metade oprimiu, enganou, e obrigou a contra a esperança lutar. O Povo que era enganado sucumbia...

Por muito pouco a esperança não venceu a luta, mas transações escuras, sombrias, jogos escusos, esconsos, tramas indecorosas, indecentes, confabulações obscuras, obscenas a cena surgiram e num repente maligno com lâminas afiadas a esperança na raiz cortou. O Povo que enxergava sofria...

O outro lado do Povo, oprimido, vendido, seduzido, enganado, enrolado, ludibriado a vitória do Reinado se rendia, e até aplaudia. O povo a verdade ainda não via...

Por detrás da promessa da igualdade entre todos a maioria não via as tramas verdadeiras, o enredo real do discurso da Rainha, conchavos com reinados vizinhos, macabros acordos, sinistros pactos há muito já realizados e que com a ajuda do povo vendado agora seriam concretizados. O povo ainda não enxergava...

Os outros que viam temiam, tentavam aos ludibriados em avisos frenéticos e aflitos suas vendas retirarem, seus olhos abrirem, suas ideias clarearem, mas por tanto que queriam a estes a verdade mostrarem e dos domínios do medo os salvarem, pelos mesmos eram caluniados, afrontados, até mesmo açoitados. Mas o Povo que a verdade enxergava nunca desistiria...

Um dia os cegos enxergarão, os ludibriados acordarão, os subjugados libertados serão, porque os que enxergam ajudarão, os que veem a verdade não desistirão, pois todos são irmãos, o Povo é um só e não uma divisão e o Reinado com a junção de toda nação derrubado será e cairá ao chão. O Povo Unido Jamais Será Vencido.



2014-11-03

Fabiana Guaranho

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